terça-feira, 21 de julho de 2015

SOBRE FICÇÃO CIENTÍFICA

Em tempo de férias , ando vendo muitos filmes (meu 2o hobby!) e resolvi colocar aqui 2 dedinhos de prosa sobre duas coisas: arte e ciência.

Nesses últimos tempos chamaram a atenção dois filmes de ficção científica que não destratam a ciência: Gravidade e, especialmente, Interestelar; em outros tempos, me lembro de 2001 e de partes da série Jornada nas Estrelas.

A ideia de misturar ciência e ficção não é nova, vem de meados do século XIX, com expoentes como Jules Verne, Edgar Allan Poe e Conan Doyle (sim, os dois últimos, em vários aspectos, podem ser classificados como ficção científica em alguns pontos)... de modo geral, a ficção científica dessa época era escrita por gente com boa bagagem, que usava o grande poder dedutivo (e os grandes avanços recentes) do método científico como base para uma narrativa. Pouco depois, mas ainda contemporâneos de certa forma, H. P. Lovecraft e H. G. Wells foram ainda mais fundo, tornando as estranhezas do tempo e do espaço panos de fundo curiosos para histórias de terror, aventura e suspense. Nessa época o que chamamos de "física moderna" ainda estava se estabelecendo, o espaço ainda era um grande território inexplorado e boa parte das histórias mais interessantes versava exatamente sobre o desconhecido.

Pouco antes da metade do século XX, a física atingiu uma certa estabilidade - quase todos os conceitos aceitos hoje já eram aceitos em 1950, por exemplo. Nesse momento veio uma nova leva de autores de ficção científica, muito mais densos e com formação científica (em alguns casos não só em física) exemplar, como Arthur C. Clarke, Isaac Asimov, Frank Herbert e outros... Por outro lado, o advento da física moderna tornou a ciência bastante contraintuitiva e, em vário momento, pouco palatável... Como essa é, grosso modo, a mesma época em que o cinema floresceu, a maior parte dos primeiros bons filmes de ficção científica era baseado em textos de Wells, Lovecraft e cia - ou seja, eram baseados na física do século XIX.

A primeira tentativa de fazer um filme baseado decentemente em algo moderno foi 2001, com seus assustadores (e corretos!) silêncios intermináveis... O filme foi um sucesso, mas não abriu espaço para mais nada na área (talvez tenha sido visto como uma obra de arte isolada, não sei)...

Nos anos seguintes a ficção científica atingiu proporções cada vez mais impressionantes, em especial a partir do final dos anos 80, quando os efeitos especiais tomaram o cinema por completo... Os enredos, no entanto, eram geralmente inconsistentes e, essencialmente, anti-científicos e quase plágios de textos do começo do século: variações pioradas da Guerra dos Mundos, da Viagem ao Centro da Terra, da Máquina do Tempo... (não estou dizendo que os filmes fossem todos ruins, só que de "científico" eles não tinham nada, e que as ideias em que eles se baseavam eram todas do final do século XIX). Isso, de certa forma, coincidiu com uma época em que a ciência moderna (gravidade, física quântica, etc) era uma grande incógnita para o grande público, que mal e mal sabia que isso existia.

E aí chegamos a esse começo de século XXI... a tal "revolução da internet" trouxe o conhecimento (ao menos o básico) ao alcance de muito mais gente... blogs, páginas específicas, wikipedia... dá pra se achar informação científica decente facilmente, desde que se queira. Gente ligada às ciências começou a ter blogs comentando cinema e livros... e, de repente, todo esse conhecimento que estava escondido foi colocado às claras (no meio de muita asneira, que fique claro). E, no meio de tudo isso, alguém percebeu que havia espaço para colocar mais ciência na ficção, que o público estava preparado para essa tal "física moderna", que é muito mais estranha que a ideia mais estranha que um autor do século XIX possa ter tido.

Enfim... de alguma forma, parece que os esforços de divulgação científica nos ajudaram a dar um passinho pra frente... para o bem da arte e da ciência!

 Abraços e até mais!

Nenhum comentário:

Postar um comentário