Antes de mais nada: se não viu o filme, pare por aqui e vá ver! É simplesmente sensacional e, em especial, deve ser um dos filmes mais cientificamente precisos de todos os tempos!
Agora vamos lá... a parte "ciência" começa bem antes do que vocês imaginam... sabe a "poeira" e a "praga" que estão exterminando os cultivos na Terra? Pois é, são baseados em fatos reais (dos quais o último é o fungo Ug99, que atualmente é uma grande ameaça ao cultivo de trigo) - se alguém que saiba mais de biologia que eu quiser dar um pitaco, sinta-se à vontade!
Mas, como sou físico, vamos à física.
O filme todo é bem calçado na teoria da relatividade, que essencialmente é a teoria que explica a gravidade. No coração dessa teoria está a ideia de que o tempo passa muito mais lentamente quando a atração gravitacional é maior - isso é o que acontece quando eles se aproximam demais do buraco negro, por exemplo.
Outra noção que aparece no filme e tem base científica é a do buraco de minhoca - isso seria algo como um buraco negro com entrada e saída, e a explicação que ele dá no filme (algo como você pegar uma folha de papel e dobrar de modo a encostar um pedaço em outro, permitindo assim um "atalho") está perfeita! O único senão (bem perdoável, afinal isso é hollywood) é que a teoria até hoje não conseguiu prever um buraco de minhoca estável (eles colapsam - "desmoronam" - muito rapidamente) - mas também não disse que eles não podem existir.
O buraco negro em si é um show. Sua forma foi calculada (pela primeira vez!) para o filme por um grupo de físicos teóricos de primeira linha, e aquele formato diferentão é exatamente como a teoria prevê que eles devam ser.
De tudo o que aparece de ciência no filme, só algumas pequenas coisas não cheiram bem - cientificamente falando, porque como não vi nada parecido com um banho no filme, acho que eles mesmos deviam cheirar bem mal... ;-):
- Aquelas nuvens sólidas no planeta congelado são problemáticas, afinal é difícil entender porque elas não caem...
- A existência de oxigênio "respirável" num planeta sem vida é altamente improvável (no mínimo), já que o oxigênio é altamente reativo e, na ausência de um ciclo que o renove, seria todo convertido em água ou óxidos em geral;
- O mergulho final no buraco negro tem alguns problemas... primeiro que seria de se esperar que a gravidade fosse intensa demais e esmagasse tudo; segundo (e mais sério, afinal nesse ponto o filme entra em contradição com ele mesmo) que, no mergulho para o buraco negro, o tempo passaria cada vez mais devagar para quem entra e mais rápido para quem está fora), de modo que o Cooper não chegaria ao final vendo sua filha bem mais velha que ele - provavelmente chegaria ao final convivendo com seus bisnetos...
Por outro lado, o final, dentro do buraco negro, com vários tempos coexistindo, apesar de não ser propriamente científico, também não deixa de ser (afinal o interior de um buraco negro é algo que foge às explicações da maioria das nossas teorias, e de fato o tempo deve tornar-se uma dimensão bem mais fraca em meio a um campo gravitacional tão grande). Outra coisa interessante é a onda gigante no mar do primeiro planeta: isso seria de fato esperável (e provável!) se o mar tivesse uma grande profundidade e se tornasse raso (como de fato é onde a nave pousou) rapidamente.
Enfim, é isso! Espero que vocês gostem da explicação - e do filme! E segue um link com um bom texto sobre a física do filme!
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